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Mundo
· 24 de outubro de 2026· Leitura: 2 min

Programador cria site independente para buscar desaparecidos em terremoto na Venezuela

Diante da omissão do governo em divulgar dados oficiais, plataforma usa inteligência artificial para registrar e cruzar informações de milhares de afetados pelos tremores

por Da Redação

Programador cria site independente para buscar desaparecidos em terremoto na Venezuela
A ausência de canais oficiais e de dados consolidados por parte do governo da Venezuela após os terremotos de 24 de junho levou a sociedade civil a buscar alternativas tecnológicas de socorro. Jorge Bastidas, um programador venezuelano de 32 anos que reside na Argentina e estava em Bogotá a trabalho no momento dos tremores, decidiu agir diante da impossibilidade de contatar sua família e da enxurrada de pedidos de ajuda em canais de notícias online. Com o auxílio da ferramenta de inteligência artificial Claude, da empresa Anthropic, Bastidas projetou e publicou o portal "Desaparecidos Terremoto Venezuela" apenas quatro horas e meia após os abalos sísmicos. A plataforma permitia que cidadãos cadastrassem dados e fotos de entes queridos incomunicáveis, construindo uma base de dados que funcionou de forma autônoma e chegou a registrar um pico de 800 mil usuários em um único dia. Quase quatro meses após a tragédia, a página acumulou 82.610 registros. Após um minucioso processo de depuração e eliminação de duplicidades conduzido por voluntários e pelo próprio sistema, o portal contabiliza pelo menos 29.486 pessoas que continuam sem contato. Outra iniciativa independente, chamada Venezuela Reporta, estima um total de 41.357 pessoas não localizadas. O projeto também enfrentou barreiras operacionais e cibernéticas, sofrendo ataques que alteraram milhares de registros e inserções maliciosas de memes e conteúdos impróprios. Para conter as fraudes, a equipe implementou filtros rígidos, moderação ativa e ferramentas de reconhecimento facial adaptadas de um modelo forense mexicano utilizado em parceria com o laboratório LAB-CO. Paralelamente, voluntários liderados pela advogada Daneli Hernández uniram forças para transcrever e cruzar listas manuscritas obtidas diretamente em hospitais de Caracas e La Guaira. O esforço permitiu injetar mais de 3 mil registros de unidades de saúde no sistema para acelerar reencontros ou esclarecer o destino das vítimas. Enquanto autoridades como o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, minimizaram a contabilização de desaparecidos sob a alegação de recusa a especulações, cidadãos como Alceo Angelini destacam que plataformas independentes foram o único suporte real encontrado. Bastidas planeja agora abrir uma central de atendimento para ligar diretamente para os números cadastrados e assegurar a veracidade dos dados, reforçando que a verdadeira extensão dos danos provocados pelos tremores ainda permanece desconhecida.

Formatos Líquidos

Consuma como preferir
  • •Programador criou portal de busca usando inteligência artificial quatro horas e meio após os tremores
  • •Plataforma independente contabilizou cerca de 29,4 mil pessoas que seguem sem contato após quase quatro meses
  • •Governo venezuelano não divulgou lista oficial de desaparecidos nem criou canal próprio para o registro
  • •Iniciativa sofreu ataques cibernéticos e precisou adotar filtros de moderação e reconhecimento facial

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Curadoria da redação