Cidades
· 23 de outubro de 2026· Leitura: 2 minParaná proíbe câmeras em banheiros após denúncia em colégio de Cambé
Resolução foi assinada quatro horas após registro de boletim de ocorrência por aluna que encontrou equipamento de monitoramento.
por Da Redação

A Secretaria de Estado da Educação do Paraná publicou uma resolução que proíbe o uso de câmeras de videomonitoramento em banheiros, sanitários e vestiários das escolas da rede pública estadual. A medida foi assinada digitalmente pelo secretário Roni Miranda às 14h15 da última terça-feira (20), exatamente quatro horas após um grupo de alunas registrar um boletim de ocorrência na delegacia de Polícia Civil de Cambé.
O caso veio à tona no Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, localizado no município, onde uma estudante encontrou um dispositivo de captação de imagens no banheiro. Segundo o relato das alunas registrado na polícia, o equipamento estaria no local há aproximadamente três anos, enquanto a direção da instituição sustentava anteriormente que se tratava de um sensor de fumaça.
A resolução estipula que a proibição vale imediatamente e abrange qualquer equipamento que, mesmo instalado em áreas externas, possibilite a captação visual do interior desses ambientes, ainda que de forma parcial. O texto alerta que o descumprimento resultará na apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, incluindo a equipe diretiva, além de eventuais desdobramentos nas esferas civil e penal.
Em resposta à repercussão, o secretário Roni Miranda declarou que a instalação de câmeras em banheiros é uma conduta inaceitável e óbvia, mas que a nova norma foi formalizada para deixar a diretrizes incontestáveis para todos os diretores da rede pública. Questionado sobre a legislação anterior, o titular da pasta pontuou que o tema é amparado por garantias constitucionais de preservação da intimidade e da vida privada.
A repercussão do caso resultou em medidas disciplinares e cautelares por parte da administração estadual. A direção do Colégio Érico Veríssimo foi afastada das funções na quarta-feira (21), e dois policiais militares da reserva que atuavam na unidade cívico-militar foram desligados na quinta-feira (22). Uma gestão interina foi designada pelo Núcleo Regional de Educação.
A Polícia Civil do Paraná e o Ministério Público instauraram inquéritos e investigam o episódio. Durante vistorias realizadas no colégio, os investigadores apreenderam dois aparelhos encontrados nos banheiros. Uma comissão interna foi instaurada pela Secretaria da Educação para apurar os fatos e prestar atendimento multiprofissional aos estudantes e à comunidade escolar afetada.




