Saúde
· 23 de outubro de 2026· Leitura: 1 minNove pacientes que usaram polilaminina em caráter compassivo morrem
Laboratório responsável afirma que óbitos não têm relação com a substância experimental, enquanto a Anvisa defende restrições de uso
por Da Redação

Nove dos 111 pacientes que fizeram uso compassivo da polilaminina faleceram, conforme balanço divulgado pelo laboratório Cristália, envolvido nas pesquisas do composto. A empresa sustentou que nenhuma das mortes possui vínculo com a administração do fármaco experimental. O levantamento atualizado foi inicialmente reportado pelo portal G1.
A substância, desenvolvida pela bióloga Tatiana Sampaio na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é estudada como alternativa terapêutica para indivíduos que perderam os movimentos após lesões medulares espinhais, resultando em quadros de paraplegia ou tetraplegia. Até o momento, a segurança do composto foi avaliada apenas em um estudo piloto experimental com oito voluntários, dos quais três morreram e cinco apresentaram melhoras motoras ou de sensibilidade. A droga carece de ensaios clínicos formais para comprovação definitiva de eficácia e segurança.
A repercussão preliminar da molécula estimulou pacientes a solicitarem à Anvisa, desde janeiro, o acesso compassivo ao produto, modalidade excepcional destinada a enfermidades graves sem alternativas terapêuticas. Diante dos óbitos registrados, a agência reguladora endureceu os critérios em abril, alinhando-os ao protocolo da fase 1 dos testes clínicos. O acesso passou a ser restrito a pessoas com lesões nas vértebras torácicas T2 a T10 ocorridas em até 72 horas, excluindo lesões cervicais e prazos estendidos.
Especialistas reunidos em painel técnico pela Anvisa, incluindo representantes do Conselho Federal de Medicina e neurologistas, foram unânimes em desaconselhar a ampliação do uso compassivo e manifestaram preocupação com a segurança e a via de administração da substância. Em contrapartida, a pesquisadora Tatiana Sampaio criticou publicamente a diretoria da agência em redes sociais, acusando o órgão de ceder a pressões externas e de adotar critérios restritivos excessivos.
Em resposta aos ataques direcionados a sua diretoria, a Anvisa repudiou investidas pessoais contra servidores e reafirmou o embasamento técnico de suas deliberações. O laboratório Cristália também manifestou apoio formal à autarquia e à diretora criticada, destacando a integridade das decisões voltadas à proteção da saúde pública.




